05/07/2009

"Cold late night so long ago
When I was not so strong you know
A pretty man came to me
Never seen eyes so blue"




é... "sou um animal sentimental, me apego facilmente ao que desperta o meu desejo".



I'm not so strong, you know.

21/06/2009

Devaneios J.

Não queria se fixar, ora, ela que era tão áspera e fria. Pensava em como havia mudado em poucos dias, seu coração já havia sido torcido, pisado, e ficava cada vez mais duro com tantas feridas cicatrizando; mas ele, ah, ele soubera aproveitar-se do meu momento vulnerável, pensava, aquele filho da mãe, sem caráter, e por deus, agora minha cabeça lateja incessantemente, fecho os olhos e só me vem aquele nome, G., sempre G., ora, não sei ao menos seu primeiro nome, pensava, mas esse sobrenome comum persiste, não me deixa em paz, tenho que mergulhar a cabeça em água fria, tenho que sacudi-la bem forte para os lados para espantar esse pensamento arrebatador, pensava, quanto mais penso nele mais me afundo em mim, pensar nele é errado, o que B. acharia disso? E H., então me desprezaria ainda mais, amaldiçoaria todas as minhas gerações, cuspiria no meu caixão... escarraria sangue em cima dele! É, preciso deixar disso, pensava consigo, ela que sempre fora tão racional em assuntos do coração, sempre achara tudo isso uma bobagem, é, uma bobagem incessante das pessoas, afinal tenho mais o que fazer, pensava ela; seu coração frágil já protegido dentro de uma dura carapaça não agia mais sozinho, ela que o comandava sempre, e ultimamente ela não dera outra função a ele senão bombear sangue para seu corpo pálido e arqueado, obedientemente. Chega, chega, chega. Posso viver só com meus livros, afinal deles é que fui e sou grande amante, eles me satisfazem, sempre souberam bem o seu lugar, meus livros não me deixam fora de sério, não me deixam incomodada por tanto tempo, meus livros não se materializam em um atraente corpo masculino com uma alma profanando coisas, convidativamente, oferecendo carinho e atenção, ah, não!, meus livros sempre souberam se comportar, sempre foram meus grandes aliados em momentos solitários. G., G.... pare com isso, pare de invadir assim minha mente com sua enorme perspicácia, pare de se aproveitar de meu momento de fraqueza para me seduzir, e depois me descartar! Porque eu sei, G., é isso o que os homens fazem, e eu me prontifico a fazê-lo antes que façam comigo, sabe G., você viu como foi com seu amigo, ele faria aquilo comigo quando eu menos esperasse! Eu só o fiz ver o que ele faria comigo, só o fiz perceber como eu reagiria quando soubesse que fui trocada, porque ele não foi trocado, foi só uma noite; em uma noite, G., pode acontecer tudo ou nada, e nno meu caso, em uma noite não se troca ninguém. Mas H. não entendeu, não entendeu, não quis mais olhar para mim, viu, H., viu o que eu sentiria? Eu só me apressei antes que você o fizesse, H.... H. não entendeu. H. finge que está tudo bem, mas não quer me ver nem pintada de ouro, agora. E você, G., você sabe bem o que está fazendo? Sabe que como amigo de H. você não deveria nem me olhar mais na cara? Por que é tão bom comigo, G.? Por que age assim, como se de fato não fosse amigo de H., como se tivesse apenas esperado eu fugir de H. para que corresse e me aprisionasse? E... me abocanhasse? E como se eu, ah, se eu de fato não fosse amiga de B.! Lembra? Você lembra de B., lembra o que fez com ela? Sabe que eu, por ela, aprendi a mesma lição... de nunca chegar perto de você, G.? Aprendi, e não é porque sou arisca com todos, é porque fujo de você mesmo, porque não quero que me aconteçam as barbáries que aconteceram com B. quando ela estava nas suas mãos! Você não compreende isso, não é, você somente quer, e quer, e quer mais e mais, não importa quem, você não faz distinções, agora eu entrei na vala comum, agora eu sou mais um alvo para você, G., um destino a chegar! Por mais que eu ainda ache que você me dá valor... que você realmente quer me conhecer, ah!, não, luto para não acreditar nisso, meu pobre coração está agindo sem minha permissão. Vê o que isso causa, G.? Percebe? Quanta coisa se move ao seu redor... por atitudes e palavras suas. Sabe, G., você sabe quanto vale uma pessoa? Você se colocou no meu, no nosso lugar? No de B.? No de alguma outra das muitas muheres que você já magoou? Duvido, G., que ninguém nunca tenha falado isso para você assim, porque as mulheres falam quando algo nelas dói, seja a cabeça ou o coração estraçalhado! E pode acreditar, G.... quando elas não falam, é pior. Eu já guardei, sim, já guardei muita coisa dentro de mim, e sempre foi pior para mim e para todos ao meu redor. Por que acha que sou arisca, amarga? Não há um sopro de vida que me bote no meu lugar, agora que já estou tão cansada das pessoas, agora que carrego decepções nas costas, na cabeça e no coração.

Um sopro de vida. É o que você me traz. Interessante, não? O que mata... ajuda a viver. É assim, sempre será.

Venha, G. Não há mais o que temer, agora que você já me conhece.

15/06/2009

ied sunga

cordeiro de deus que usai uma sunga vermelha como o sangue dos pecadores, tende piedade de nós.

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ã? piadas sem graça com amigos, adoro

22/05/2009

I want my phone call

"Do you wanna know why I use a knife?

Guns are too quick. You can't savor all the little... emotions. You see, in their last moments, people show you who they really are. So in a way, I knew your friends better than you ever did...

Would you like to know which of them were cowards? "


21/05/2009

Edward

Quando o Brahms começou, prendi a respiração. Era um jogo de tensões minimamente programadas, quase com o único objetivo de ver as pessoas se contorcendo nas cadeiras do auditório, em uníssono rumo ao clímax.
Cada nota acariciava, seduzia, construía em mim um ambiente cheio de mofo e desejos perversos; a obscuridade era cada vez mais presente, o som afundava e eu afundava junto. Como cair no meio do oceano à noite: nada de luz, tateando o desconhecido.
O piano não existia; o piano fazia um papel secundário, era apenas o caixão que guardava algo que por pouco já não vivia mais. O pianista, um necrófilo.


No meio do jogo de sedução da morte eminente, um crescendo ofegante. Assassinato. Fortíssimo, com motivos os mais inexplicáveis, o filho matou o pai.

16/04/2009

e pra finalizar:

"Encontro fugidio e breve foi o nosso. Belo também da beleza que permanece na memória para além dos dias. Algures tu és, aqui eu sou. Porque imprecisa, a distância se resolve na certeza vaga de existirmos num como e num onde. Tanto basta. [pergunta ou afirmação?] Não há passos que nos aproximem no impreciso e no vago. O nosso reencontro está só na certeza vaga de existirmos com outros, sob o mesmo sol. Melhor assim."

(Roland Barthes)

why so serious, nick?


simples assim

constatações do dia:

-toda época tem seu nick cave, e na época de brahms, era o próprio. (seria uma pessoa que reencarna em várias outras?);

-café torna a vida da pessoa mais feliz;

-músicas com violão arranhado, piano ao fundo, voz de coringuete e uma melancolia própria me fazem lembrar de drogas, ruas escuras e úmidas, coturno, luvas de couro e no meio de tudo isso, um bem-estar arrebatador;

-"people ain't no good";

-e a maldade é inerente ao ser humano, embora os autores dos textos da aula de antropologia discordem.

29/03/2009

some velvet night

rostos imersos na luz azul neon, na claustrofóbica noite com cheiro de cigarro e liberdade, batidas perversas tornando-se musicais, sadomasoquismo desvairado em forma de desenho animado, fumaça - almas em transe.
queria me curar, me desvirar, enlouquecer soterrada pelas pessoas dançando desumanamente, eu não pertencia mais a mim, e sim a todos os outros. que me usem, me usem... sirvo para que mesmo? não me pertencer, para no final talvez me encontrar. saber quem realmente sou.
medo? não tenho. todos morrem no final, esse filme eu já vi.